terça-feira, 11 de março de 2014

50 anos das Fitas Cassetes - parte 4


Feliz 50º aniversário, fita Cassete Compacta: Como ela tocou sons para milhões - 4ª e última parte

Da gravação portátil de áudio para os Walkmans, está tudo em sua cabeça.

Sendo enganados

Philips in-car cassette player from 1971
Propaganda de 1971 dos Toca-fitas Philips pra carro
Cassetes analógicas em carros fizeram muito melhor do que o
Compact Cassette Digital
Fonte: Arquivos da empresa Philips
Passou-se um bom tempo antes do aparecimento do Dolby em cassetes pré-gravados tornar-se um problema. A combinação vencedora do rádio portátil e gravador de cassetes compacto surgiu bastante cedo quando Philips produziu o seu próprio modelo, chamado Tipo 22RL962 , em 1966. A ele seguiu-se o modelo de aparelho de som EL 3312, cerca de um ano mais tarde. Em 1968, o auto-rádio com fita cassete RN582 fez sua estréia. Outros fabricantes estavam reivindicando serem os pioneiros na estréia em várias frentes em produtos de áudio, com o benefício dos transistores cada vez menores.
Centros de música três-em-um, sistemas de som com rádio, toca-discos e gravador de cassetes - se tornaram comuns nas casas, mas com os audiófilos mais exigentes preferindo os de hi-fi (alta fidelidade) separados aonde o cassete 'deck' é fabricado tendo a qualidade como o objetivo número um, em vez de acessibilidade ou portabilidade.
Com estas várias combinações ganhando popularidade desde meados dos anos 1970, a questão da cópia tornou-se um ponto de discórdia. As pessoas estavam compartilhando seus discos de vinil e gravando-os. Gravações podiam ser emprestadas de bibliotecas públicas, de programas em rádio e cópias em cassetes feitas. Eles estavam roubando. Em outros locais, os países em desenvolvimento em particular, onde a fita Cassette foi mais difundida do que outras formas de mídia gravada, a venda de cópias piratas era comum.
BPI campaign logo: Home taping is killing music

A amigavel campanha da BPI - nem todos concordaram com a sua mensagem
Embora essas atividades internacionais estivessem além do alcance das gravadoras ocidentais, no Reino Unido, a BPI (British Phonographic Industry)  liderou uma campanha para fazer com que a nação que copiava músicas se enquadrasse nos anos 1980. O slogan "Gravações caseiras  estão matando a música" era uma intimidação massiva da indústria para combater seus temores de que as vendas de discos sofreria baixa como conseqüência.
No entanto, para o consumidor, a gravação e partilha de música era uma forma de descobrir novas bandas e para muitos artistas, isso era aceitável porque era uma maneira de crescer sua base de fãs. Fãs que em breve comprariam suas gravações e, provavelmente, assistiriam a concertos com seus companheiro(a)s.

Os prós e contras de copiar é um argumento que ainda persiste até hoje. Certamente, a Philips não tinha idéia de que a introdução de uma máquina de ditado cerca de duas décadas antes levaria a tal contenda.
Havia outras razões para a gravação de discos de vinil que muitos sentiram ser perfeitamente legítimas. Por que não ter uma gravação do álbum que você comprou para tocar no carro? E aquelas músicas favoritas de vocês ? Misturar e fazer fitas para festas e romances era agora puro prazer, eram o que jovens e velhos teriam junto de si suas coleções de música, gravando manualmente cada faixa. E não era apenas para uso no carro.
Sony Walkman
O Walkman da Sony utilizando fones de ouvidos se fez pessoal

O Walkman lançado pela Sony foi um divisor de águas para a fita cassete, chegando, em 1979, e usando fones de ouvido em vez de alto-falante. Sua portabilidade desencadeou a mania da música em movimento.Uma característica distintiva dos Walkmans e seus clones rivais que se seguiram foi que eles eram apenas para reprodução. Walkmans gravadores foram oferecidos para usos mais profissionais e tornaram-se popular com os repórteres. Outras marcas seguiram o exemplo com algumas até incluindo um rádio neste pacote portátil.
Decks de cassetes duplos também apareceram, permitindo a cópia de fita para fita e dublagem com alguns modelos apresentando um tocador ao estilo dum Walkman que encaixava na unidade principal que continha o gravador. O gênio estava definitivamente fora da lâmpada, tanto quanto fazer cópias de gravações estava preocupando. Vale a pena lembrar que estávamos bem e verdadeiramente no domínio analógico aqui e que portanto a cópia da fita que sempre trazia consigo a bagagem do chiado na fita. Ao contrário do mundo do áudio digital que estamos imersos hoje, o sinal degradava significativamente com repetidas cópias de fita além da fonte original.

Neste tempo, tanto o gravador de cassetes como as midias (fitas) evoluiram, com o dióxido de cromo e e fitas de tipo IV (metal) oferecendo melhor faixa dinâmica e resposta de freqüência. Estas novas formulações requeriam diferentes freqüências de equalização e gravação que levaram à adições ao padrão Compact Cassette. Assim, os aparelhos saíram com botões para ajuste a fitas de ferro, óxido de cromo e de metal para que todos estivessem em conformidade com suas respectivas configurações de equalização .

A era digital

Outras melhorias apareceram como a tecnologia de redução de ruído Dolby C, juntamente com a HX Pro, esta última ajustada a polarização para uma "extensão da altura livre" (aumentar o alcance dinâmico), mas não decolou. No entanto, as melhorias no suporte de gravação e processamento de sinais, juntamente com a chegada do CD, mostraram que a gravação em casa estava soando melhor do que nunca. Outra maneira de olhar para ele, porém, foi que este formato de disco digital puro revelou as deficiências no uso da fita cassete, particularmente na sua extensão de alcance de alta freqüência.
Como o vinil ficou em segundo plano e a fidelidade sem crepitações e estalos do Compact Disc fez sentir a sua presença, era inevitável que um formato de gravação digital de consumo iria surgir. Estúdios de gravação haviam sido abençoados com um número de opções por algum tempo, nenhum acessível para o mercado de massa.

Philips DCC 900 digital compact cassette deck
Veja, eu te disse que era grande: toca-fitas digital compacto Philips DCC 900 

Enquanto a Sony ponderava sobre o que viria a ser o MiniDisc, a Philips teve a idéia da fita cassete compacta digital (DCC). Ela iria suportar uma resolução de até 18 bits e taxas de amostragem de 32 kHz, 44,1 kHz e 48 kHz. A característica de matador seria a compatibilidade com a sua biblioteca de fitas analógicas existentes. Os aspectos técnicos da DCC são discutidos em mais detalhes aqui.
A fita DCC funcionou, mas o enorme aparelho DCC 900 que foi lançado não era o sistema de fita digital pra carros, portátil, que os concessionários tinham prometido. Isso viria mais tarde, juntamente com o walkman portátil DCC 170. A fita DCC não falhou porque foi tecnicamente falha - permitia nomear as faixas e soava superior aos primeiros modelos de MiniDisco da Sony - mas porque a idéia de ter uma fita que necessitava de avanço rápido e de rebobinagem estava agora datada nas mentes de seu mercado-alvo.

Digital Compact Cassette (DCC) compared
Digital Compact Cassette (DCC) com uma fita cassete analógica abaixo dela

Essas pessoas foram foram despertadas para a conveniência do acesso instantâneo e não mais sequencial do CD e estavam procurando o mesmo num gravador digital. O MiniDisco (CD) da Sony entregou esta e ganhou o dia como um formato de gravação digital de consumo. Isto é, até o iPod da Apple e o iTunes promoverem o conceito de ripar, misturar e gravar.

Acelerando, Ejetando

A Philips afirma que cerca de três bilhões fitas cassetes compactas foram vendidas nos 25 anos entre 1963 e 1988. Para além desse período outros formatos corroeram as vendas: só os EUA as vendas de  fitas cassettes cairam de cerca de 450 milhões em 1990 para pouco mais de 250 mil em 2007, segundo a Billboard. Sim, você ainda pode comprar fitas novas e os gravadores de cassetes permanecem em produção também, mas a escolha atual é bastante limitada.
Muitos de nós continuam a encontrar gravadores de cassetes porque o equipamento permanece em aparelhos de som de carros antigos, de décadas atrás,caixas de som que nunca morrem, e em pleno funcionamento aparelhos de hi-fi que não temos coragem de descartar. Se este equipamento é sempre usado para reproduzir uma fita cassete é outra questão, mas confesso que possuo um DCC 900 ( eu não podia pagar um DAT ) e ligo de tempos em tempos, tanto para a reprodução analógica como digital. Ele ainda toca forte !
Eu tive o prazer de descobrir o melhor gravador de marca que o mercado tem hoje para oferecer: uma apresentação do modelo CD- A750 da Tascam seguirá em breve. É um monstro projetado para uso em estúdio e apresenta interface digital. Neste modelo, ao lado do tocador de fita Cassette temos outra tecnologia da Philips com as digitais de Lou Ottens nele, o Disco Compacto (CD) .

Obrigado Sr  Ottens, e feliz aniversário fita Cassette Compacta ! ®

Publicado originalmente em http://www.theregister.co.uk/2013/08/30/50_years_of_the_compact_cassette/

4 comentários:

Douglas Antunes disse...

É notável o caminho percorrido pela tecnologia durante as últimas décadas. Hoje até mesmo a ideia do Cd player está superada, por assim dizer.

Mas ainda gosto muito das fitas cassete, pela qualidade do som e pela praticidade, mas, infelizmente, é cada vez mais difícil encontrar boas fitas para venda...

Parabéns pela postagem!

Xracer disse...

Obrigado pelo comentário, Douglas !

Eu gostei de traduzir e publicar essa série de textos, pois usei muito as fitas cassetes, tenho até hoje guardadas as aproximadamente 50 fitas com jogos do meu micro TK90X. Antes disso, quando era criança havia ganhado um aparelho fantástico, um gravador portátil National Panasonic RQ-209MS, que sempre que saia pra visitar meus avós eu me divertia a gravar eles falando papagaiadas e depois ficava ouvindo e rindo. Também tenho essas fitas (preciso urgente converte-las em mp3). Mais tarde gravava música das estações de rádio.
Comprei a uns 3 anos no camelódromo daqui uma fita cassete virgem, que guardo na embalagem plastica. Vou ver se aqui em minha cidade ainda tem pra vender ainda.

Ezio Donizete disse...

Amigo interessa em vender seu DCC 900?

Xracer disse...

Ezio,

Este aparelho deve ser fantástico mesmo, apesar de ter o inconveniente de todas as fitas, o acesso sequencial em vez de aleatório.

Eu não tenho este aparelho ! Quem tem é o autor do mesmo, eu traduzi todo o artigo publicado originalmente em inglês, por Robert (Bob) Dormon no site do site inglês "The Register", acessivel no link no final do artigo.

Por sinal foi um pouco difícil fazer essa tradução, algumas expressões soam estranhas porque ele usou o tipico humor inglês e alguns jogos de palavras que só fazem sentido no original. Mas vi que não havia um texto interessante como este em português e pus-me a fazer a publica-lo, agora atualizado com o link devido.

Obrigado pela visita e comentário ! Conheça as demais publicações do blog, assine para acompanhar novos posts !

Em tempo, tenho um aparelho de som Gradiente S96, com o módulo Toca-fitas incluido. Guardado e funcionando perfeitamente.