domingo, 9 de dezembro de 2012

BRASIL, UM PAÍS HOSTIL AOS AUTOMÓVEIS


amente e ainda acrescento a predileção do brasileiro em estacionar nas vagas de deficientes e idosos, indevidamente, e na maior cara de pau !



O Brasil tem uma boa parte de seu movimento econômico baseado em automóveis. É uma indústria de grande porte, com muitas fábricas funcionando, e que entrega à Nação uma enorme riqueza, principalmente na forma de impostos. Há uma quantidade muito grande de pessoas, empresas e serviços que existem por causa do veículo automotor.

O País, porém, trata os carros como fonte de renda, apenas. Não há facilidades nem benefícios para que precisa ou apenas quer ter um carro particular, direito de quem pode e quer pagar por um. Não confunda o que está dito com facilidade para financiar um carro novo. Essa provém dos bancos, que vivem de vender dinheiro, assunto que prefiro não comentar. Ter um carro no Brasil significa ser afetado constantemente por dificuldades de todos os tipos, em sua quase totalidade atingindo o bolso.

O negócio é tão forte, tão grande, que pensar em apenas um fato que acontece todos os dias com muita gente já mostra o tamanho da palhaçada a que estamos submetidos. Esse fato é o roubo ou furto de um carro (pode ser moto, caminhão, ônibus etc.).

Se você já foi vítima dessa enorme indústria que não paga imposto, a dos roubos de carros, perceberá que houve apenas um prejudicado em toda a seqüência do que aconteceu depois. Você.

O ladrão leva seu carro embora e vende, ou desmonta e depois vende partes, ou usa para outros crimes e o abandona normalmente estragado, ou destrói seu carro em um poste. Se não era segurado, o valor do carro ou do conserto foi perdido. Se tinha seguro, você aciona-o e pede seu ressarcimento. A seguradora paga, após procedimentos que lhe tomaram tempo e dinheiro, no mínimo com telefones e e-mails. Se for acidente, você ainda paga a famigerada franquia, e gasta mais ainda.


Seguro ecológico. Para furtar esse carro, só sendo veterinário ou zoólogo!

Aí você não pode ficar a pé, e sai em busca de um carro novo ou usado. Em ambos os casos, você irá pagar por mais um carro, que precisa ser passado para seu nome, emplacado se for novo, transferido de município se for usado e comprado longe de casa, feito um novo seguro para evitar novo prejuízo em caso de outro roubo (gato escaldado tem medo até de água fria), comprado aquele rádio melhorzinho, colocado um tapetinho aqui, um alarme caso não tenha, essas coisas todas que a maioria faz.

Percebeu que você gastou um monte de dinheiro seu e da seguradora? E quem você acha que irá recuperar fácil esse dinheiro gasto?

As empresas de seguro tem cálculos mirabolantes e secretíssimos para chegar ao valor de prêmio cobrado, levando em conta até o CEP onde o carro passa a noite. Um quarteirão de distância pode mudar o valor que pagamos a essas empresas. Idade do condutor também conta, com os mais jovens sendo os mais achacados pelos altos preços, mesmo sabendo que há motoristas jovens muito mais responsáveis que os tiozinhos e tiazinhas que vemos todos os dias.  As seguradoras cobrem os prejuízos dos clientes, sem dúvida, mas recuperam o prejuízo aumentando o seu novo seguro através da perda dos bônus, e reajustando valores constantemente para todos os outros clientes.

Os roubos que geram lucros a quem vende peças usadas. Não compre se você não tem certeza da origem.

Os documentos de seu novo carro custam-lhe mais dinheiro, que os governos recebem. O carro novo paga um IPVA logo de cara, proporcional ao mês do ano em que você está adquirindo-o. Se um despachante lhe ajudar, recebe o dele também.

Em suma, toda uma cadeia de serviços e produtos lhe tomam dinheiro, e um monte de gente recebe o que sai de seu bolso. Todos lucram com o fato de seu carro ter ido parar nas mãos dos amigos do alheio, menos você, o dono do carro.


Detran do Rio de Janeiro, entupido de carros e com esperas enormes para ser atendido. Serviço público muito bem pago pelo nossos impostos, mas que fazem parecer ser um favor prestado gratuitamente.

Falar sobre as vias por onde transitamos é outra coisa que mostra o quanto é difícil ter e usar um carro no Brasil. Há ruas e estradas aceitáveis, mas a enorme maioria é um puro lixo destruidor de suspensões e torcedor de carrocerias. Se for em cidades grandes, há um descaso enorme com a qualidade do pavimento. Se for em pequenas, muitas vezes nem há pavimento. Sinalizações mal feitas fazem motoristas andarem mais que o necessário em muitos casos. Pontos mal pensados, projetados e construídos induzem a erros de condução que provocam acidentes, gerando mais gastos e mais impostos arrecadados no conserto de um carro batido. Mais uma vez o prejuízo é só seu, o dono do carro.

Uma praga antiga brasileira são as inúteis valetas nas esquinas, colocadas com a desculpa de escoamento de água. Totalmente desnecessárias se o leito carroçável for projetado com caimento correto. Somam-se a elas as lombadas para redução de velocidade, essas verdadeiras doenças que na verdade foram provocadas por motoristas que não sabem andar em velocidade compatível com as vias e que só pensam em acelerar o máximo possível. E quem anda com responsabilidade e defensivamente tem que perder tempo e desperdiçar combustível com essas excrescências do pavimento. Os bons pagam pelos maus, verdade eterna.
Feitas para estragar carros, essas malditas valetas

Combustível é outra aberração. Carros a gasolina têm que queimar álcool, misturado por imposições governamentais antigas e que ninguém de governos mais recentes teve coragem de derrubar. Para contornar a situação nefasta de se ter dois combustíveis misturados, e ajudar mais ainda os produtores de álcool, a indústria criou o carro flexível em combustível, visando fomentar a economia no bolso do dono de carro. Pouco adianta. A gasolina e o álcool tem preços exorbitantes desde sempre no Brasil. Naquela fase de 2008/2009, quando os americanos tiveram aumentos monstruosos no preço da gasolina deles, os EUA entraram em uma crise enorme e centenas de milhares perderam seus empregos, a gasolina lá ainda era bem mais barata que aqui, onde pagamos todos os dias sem reclamar, sem pestanejar e sem esbravejar. Os preços altos eram notícia todos os dias na imprensa americana. Aqui, já nos acostumamos.

Para temperar a desgraça da exploração, ainda há gente ruim que estraga a gasolina e o álcool locais com solventes, água e outros líquidos menos nobres ainda. Prejuízo ao dono do carro de novo. Uma dica que aprendi foi perguntar a motoristas de táxi onde há combustível de boa qualidade. Eles rodam muito mais que a maioria, e descobrem rápido os postos picaretas, espalhando a notícia entre colegas de profissão.

Gasolina misturada com qualquer coisa, à esquerda: obra de gente ruim

Mas parar no posto para abastecer também é hostil. Muitas vezes lhe são ofertados produtos desnecessários, como aquela "completada" no óleo ou na água de refrigeração, verificados com o motor quente, de forma errônea, além daquele aditivo totalmente dispensável se você já utiliza uma gasolina ou álcool dos mais caros, os aditivados. Sempre digo que posto não é lugar para se abrir capô de carro. Faça suas verificações pela manhã, ou ao menos depois do motor desligado e esfriando por pelo menos meia hora. Melhor mesmo com o carro frio. Uma condenada rápida no extintor de seu carro também é de praxe em muitos postos.

O óleo diesel, que pode ser usado em carros pequenos para transporte de pessoas em qualquer canto do mundo, é proibido no Brasil. Mais uma ditadura governamental antiquíssima, e que nenhuma "ditadura" moderna tem peito de exterminar. Levar gente com diesel aqui, só em veículos grandes como furgões de passageiros e picapes, ambos notórios pelo peso excessivo e tamanhos nada favoráveis ao transporte nas cidades.

Há motores moderníssimos no mundo todo movidos a diesel para carros leves, permitindo pouca poluição e consumo aos felizardos que os possuem. Mas aqui a hostilidade não permite. Claro, hostilidade baseada em finanças. Gasolina dá mais lucro, então, cidadão, pague mais caro e divirta-se com seu carrinho pequeno a preço de carro grande. Só para lembrar, aqui pertinho, na Argentina, país tão criticado pelos espertos brasileiros, eles podem. E também no Paraguai, que tomamos como subdesenvolvido, também. Só os brasileiros não podem. Deve ser algum tipo de maldição.

Sobre preços de carros, melhor não falar nada. Já muito foi dito e escrito em todos lugares dessa imprensa nacional, e não adianta. Continuamos a pagar umas três vezes o que um carro vale na verdade. E pelo menos uma dessas vezes é todinha dos órgãos governamentais, que usam nosso dinheiro vocês sabem onde. Descontinhos pífios e temporários em alíquotas de impostos são decretados e comemorados como se fossem mesmo bondades, quando na verdade são oportunismos para arrecadar mais ainda, com presidente da República se valendo disso para fazer propaganda pessoal. Vergonha pura.

E as multas? Será que vale a pena falar algo? Será que dá para imaginar que um governo municipal entregue o controle das máquinas fotográficas acopladas a sensores de velocidade que registram infrações a uma empresa privada e se acredite que o serviço é totalmente justo para o lado do motorista? Será que empresas privadas não querem e não precisam aumentar seus lucros? Será que reduções de velocidades máximas permitidas a níveis ridiculamente baixos tem apenas e tão somente a função de aumentar a segurança?

É muita ingenuidade acreditar nessa baboseira toda que os caras de gravata nos contam. E tem gente que foi à escola, sabe ler e escrever e acredita, isso é que é o mais incrível!

Chamada de indústria da multa, o esquema nefasto denota o absoluto desrespeito dos governantes para com seu povo

Já precisou estacionar seu carro em uma cidade grande? Na rua aparece o chamado "flanelinha", sempre um ser a gerar desconfiança, mesmo que seja bem intencionado (e eles existem). Estacionamentos são uma comédia em grande parte. Ou se deixa carro e chave para manobras mirabolantes com habilidade e cuidados duvidosos, ou se procura um do tipo "tranque e leve a chave". Dá trabalho e toma tempo, sem contar o preço.


Momento de frio na espinha. Entregar o carro a um manobrista pode ser problema sério.



Presenciei durante anos a fio as brincadeiras de manobristas de um estabelecimento para festas perto de casa. As trocas de marchas com patinagem de pneus era a mais comum das práticas. Os donos dos carros nada viam, pois o buffet ficava em outra rua, dobrando a esquina, e os profissionais das manobras "arregaçavam" os veículos alheios sem dó. Era a diversão deles, castigar a máquina. Uma outra brincadeira era passar de primeira a ré ou vice-versa com o carro em movimento. Hostilidade automobilística pura.


E há também estacionamentos caríssimos e sem vagas disponíveis. Duvidam? Basta ir ao Aeroporto Internacional de São Paulo, que não é em São Paulo, mas em Guarulhos. Tem até foto para provar.

Pagando caro para estacionar onde não deve porque não há vagas: Aeroporto de Cumbica, Guarulhos, São Paulo

E as oficinas? O que dizer delas? Quem nunca teve problema com mecânicos ruins ou de má índole levante a mão e me conte onde foi o milagre. Centros automotivos geradores de problemas se encontram facilmente em qualquer lugar. Encontrar os honestos e que trabalham com eficiência é bem mais difícil. Há que se ter experiência e conhecimento com veículos para não ser enganado, e mesmo assim pode ocorrer. Quando não se sabe nada ou quase nada sobre técnica de carros, temos que pedir ajuda de alguém para nos acompanhar.

Amigos entusiastas dos automóveis, está cada vez mais difícil suportar tantas maldades contra o automóvel. Utilizar o carro com prazer não é fácil. O próprio carro parece se cansar de tanta ruindade contra ele.

Esperamos conseguir manter o otimismo e não entrar na onda daqueles que consideram o automóvel como uma máquina fadada à extinção, sendo substituída por vários tipos de transporte coletivo.

Seria uma derrota da humanidade.

JJ

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